A saúde mental no trabalho ganhou destaque em uma nova campanha desenvolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). A iniciativa aborda situações comuns na rotina profissional, como mensagens recebidas fora do expediente, dificuldade para se desconectar e contatos de trabalho durante os períodos de descanso.
A campanha começou a ser divulgada na última semana e terá ações durante todo o mês de setembro nas redes sociais da Justiça do Trabalho.
Os conteúdos produzidos pelo TST também serão compartilhados com os 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), ampliando a divulgação da iniciativa para diferentes regiões do país.
Campanha foi desenvolvida por estudantes da UnB
O projeto foi elaborado durante o primeiro semestre de 2026 por estudantes do curso de Comunicação Organizacional da Faculdade de Comunicação da UnB.
A atividade fez parte da disciplina de Assessoria e Consultoria de Comunicação. O TST participou como um dos clientes reais atendidos pela turma e apresentou aos estudantes o desafio de criar uma campanha relacionada à saúde mental no ambiente profissional.
A proposta buscou transformar situações presentes no cotidiano dos trabalhadores em uma comunicação voltada à conscientização e à prevenção.
Quando o trabalho ultrapassa o expediente
O conceito escolhido para orientar a campanha é “Sua saúde é a fronteira que o trabalho não pode atravessar”.
A mensagem trabalha com três ideias principais: invasão, fronteira e limite.
A palavra “invasão” representa os momentos em que as demandas profissionais ultrapassam o horário de expediente e passam a ocupar o período reservado ao descanso e à vida pessoal.
Já a “fronteira” simboliza a divisão entre os ambientes profissional e pessoal, que pode ficar cada vez mais difícil de estabelecer com o uso constante de celulares e outros meios de comunicação.
O terceiro conceito é o “limite”. Nesse caso, a proposta está relacionada à importância de reconhecer os limites da jornada profissional e adotar medidas de prevenção e cuidado com a saúde.
Programação também será realizada dentro do TST
Além da campanha nas redes sociais, o Tribunal Superior do Trabalho terá uma programação própria voltada à saúde mental.
Entre os dias 14 e 18 de setembro, será realizada a “I Semana da Atenção Psicossocial: a arte como linguagem do cuidado”.
A iniciativa é promovida pelo Núcleo de Atenção Psicossocial (Naps), em parceria com a Associação dos Servidores do TST e do CSJT (Astrisutra).
A programação faz parte das ações do Setembro Amarelo e também marca o primeiro aniversário do Naps, criado em setembro de 2025.
Semana terá atividades para públicos interno e externo
As atividades foram planejadas para o público interno e externo do tribunal.
O objetivo é estimular a sensibilização, a prevenção e a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho, levando o tema para além das discussões institucionais.
A abertura da Semana está programada para 14 de setembro, das 13h30 às 15h, no Auditório Ministro Mozart Victor Russomano, localizado no quinto andar do bloco B.
A cerimônia institucional será seguida pelo espetáculo circense Setembrinho Amarelinho, apresentado por três palhaços(as) do grupo RiSUS.
Afastamentos por transtornos mentais ultrapassaram 546 mil em 2025
A campanha também considera o crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental no mercado de trabalho brasileiro.
Segundo dados do Ministério da Previdência Social apresentados no projeto, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2025.
O número representa aumento de 15,6% em comparação com o ano anterior.
Entre as principais causas dos afastamentos estiveram os transtornos ansiosos e os episódios depressivos.
Os dados também apontam uma diferença entre os gêneros: aproximadamente 63,4% dos profissionais afastados eram mulheres.
Informalidade também faz parte do cenário profissional
A campanha levou em consideração ainda a diversidade das relações de trabalho existentes no Brasil.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), utilizados no desenvolvimento do projeto, indicam que o país possui aproximadamente 103 milhões de pessoas ocupadas.
Desse total, 38,1% estavam na informalidade, sem vínculo formal de trabalho.
O dado amplia a discussão sobre saúde mental para diferentes realidades profissionais, considerando que as condições de trabalho e as formas de organização da jornada podem variar significativamente entre trabalhadores.
Saúde mental como parte da rotina profissional
A iniciativa do TST e da UnB coloca em evidência uma questão que envolve não apenas o ambiente físico das empresas e instituições, mas também a relação entre jornada, descanso e vida pessoal.
Mensagens fora do horário, notificações constantes e dificuldade para interromper as atividades profissionais são exemplos de situações que podem tornar menos clara a separação entre trabalho e descanso.
Nesse contexto, a campanha utiliza a ideia de fronteira para reforçar a importância de estabelecer limites e reconhecer o cuidado com a saúde mental como parte da rotina profissional.