Inclusão e cidadania: TRT-8 realiza evento para comunidade surda

O Cejusc Belém promoveu a 4ª edição do projeto Vamos Resolver Juntos?, focado no atendimento e desenvolvimento da comunidade surda. A iniciativa contou com o suporte direto de professores, intérpretes de Libras e lideranças locais.

O encontro fez parte do projeto Conciliar e Incluir, mantido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Durante a programação, os participantes acompanharam debates sobre direitos trabalhistas, combate ao capacitismo e orientações sobre cidadania.

Além das palestras informativas, o público teve acesso a um balcão de talentos e a oportunidades de capacitação profissional. O objetivo principal foi ampliar a autonomia dos participantes e garantir acesso simplificado aos serviços públicos.

Vozes do público e novos horizontes

A estudante de pedagogia Beatriz Barbosa participou do encontro e expressou o impacto da programação em sua trajetória.

“Esse evento foi muito importante para que a gente venha aprender, de forma visual, sobre as questões da palestra, as temáticas, sobre a questão de vaga de trabalho, acessibilidade, conflitos dentro do nosso ambiente de trabalho e de como resolvê-los. Me interessei pelo curso de moda. Eu amo moda. Eu amo me vestir de forma diferente também. Antes, eu era bem simples na forma de me vestir, mas eu fui estudando e fui adquirindo a minha identidade na questão da moda. É o meu sonho. Atualmente, eu só estudo na faculdade, faço pedagogia, e antes eu trabalhava na escola atendendo alunos surdos, agora estou à procura de estágio, também tentando me identificar mais com essa questão do curso de moda”, conta.

Outra participante, a universitária Thaís Batista, destacou a busca por capacitação prática oferecida pelos parceiros do evento.

“É a primeira vez que estou aqui neste evento, aceitei participar pelas palestras, pois queria conhecer o que o Senai tinha a oferecer para a nossa comunidade. Agradeço muito pelo convite de estar aqui participando, pelos momentos de palestras e atividades”, festejou.

Avaliação institucional e impacto social

A organização destacou os resultados positivos do encontro para o fortalecimento do diálogo social e a geração de empregos.

Carol Savino, coordenadora de Apoio ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas, ressaltou a transformação gerada pela ação.

“O Projeto Vamos Resolver Juntos? transformou informação em oportunidades reais, proporcionando inscrições em cursos do Senai, orientação sobre os serviços do Sine e uma vivência prática da conciliação, mostrando que inclusão, diálogo e novas oportunidades podem transformar caminhos”, comentou.

A construção coletiva foi outro ponto primordial ressaltado pela equipe de organização.

“O evento foi todo construído em diálogo entre a Comissão de Acessibilidade e a comunidade surda, para entender as demandas. O que eles esperavam da gente, de que forma essa ação me poderia efetivamente contribuir para o acesso ao trabalho, o acesso ao direito, qual a melhor forma de comunicar, de expressar aquilo que a gente estava pretendendo com a ação, para que a gente pudesse chegar na comunidade surda. Contamos com todo esse apoio e tivemos um bom resultado com a presença deles aqui, trazendo suas experiências, suas expertises e as suas demandas. Que a gente possa cumprir o nosso papel social enquanto instituição e enquanto Tribunal Regional do Trabalho”, pontuou Luísa Leão, da Comissão de Acessibilidade do TRT-8.

Oportunidades e cooperação profissional

Diversas entidades atuaram em parceria para garantir encaminhamentos práticos ao mercado de trabalho durante toda a programação.

A OAB-PA marcou presença por meio da Comissão da Pessoa com Deficiência, defendendo a eliminação de barreiras como caminho fundamental para a dignidade social.

O Senai apresentou suas iniciativas inclusivas e detalhou a estrutura preparada para receber os estudantes.

“Nós do Senai trabalhamos a inclusão social, a equidade e o acesso ao mercado de trabalho, e nossos materiais são adaptados para as pessoas com deficiência. Utilizamos também recursos de tecnologias assistivas”, finaliza Ilma Oliveira, coordenadora de Educação Profissional do Senai.

A liderança do tribunal ressaltou que a conciliação precisa estar ao alcance de todas as pessoas sem exceção.

A desembargadora Rosita Nassar, presidente em exercício do TRT-8, lembrou que a Justiça só cumpre seu papel quando se torna plenamente compreensível e acessível a toda a sociedade.

O encontro contou ainda com a presença da desembargadora Francisca Oliveira Formigosa, do juiz do trabalho Francisco Monteiro Júnior, além de magistrados, servidores e representantes da sociedade civil.

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