TSE usa caso da AtlasIntel para fixar parâmetros para pesquisas

O Tribunal Superior Eleitoral iniciou um julgamento decisivo sobre a fiscalização da pesquisa de intenção de voto no país. A corte aproveitou a análise de uma liminar para debater novas diretrizes para os institutos.

O objetivo dos ministros é fixar parâmetros claros para controlar as metodologias aplicadas nos levantamentos. A intenção é evitar manobras que possam induzir o eleitor ou desequilibrar o cenário político.

A discussão começou na noite de terça-feira durante a apreciação de uma decisão tomada pelo presidente da corte, ministro Nunes Marques. O julgamento foi suspenso após um pedido de vista da ministra Estela Aranha.

Decisão liminar e o estopim da discussão

Nunes Marques havia suspendido a divulgação de um estudo realizado pela empresa AtlasIntel. A análise identificou indícios de que o questionário trazia formulações desenhadas para prejudicar a imagem de um pré-candidato.

O levantamento em questão foi aplicado pela internet e divulgado na segunda quinzena de maio. O ponto central da controvérsia envolveu a inserção de um conteúdo multimídia antes das perguntas principais.

A pesquisa apresentava aos entrevistados um vídeo com áudio de uma conversa atribuída ao senador Flávio Bolsonaro. Para a decisão monocrática, essa abordagem comprometia a neutralidade necessária ao processo.

Cronologia dos fatos no processo

  • Divulgação original da pesquisa: 19 de maio

  • Concessão da liminar de suspensão: 8 de junho

  • Início da votação no plenário do TSE: 9 de junho

  • Situação atual do julgamento: suspenso por pedido de vista

Ausência de parâmetros na legislação atual

O controle sobre levantamentos eleitorais está previsto na Lei das Eleições e em resoluções internas da Justiça Eleitoral. No entanto, nenhum desses textos legais detalha critérios objetivos sobre a elaboração das perguntas.

A legislação vigente classifica a publicação de dados fraudulentos como crime e garante o direito de contestação aos partidos. Ela exige a apresentação de registro formal, mas deixa margem sobre o que configura indução.

O ministro Dias Toffoli salientou que o foco do tribunal não é apenas o caso específico, já que a pesquisa circulou semanas atrás. A prioridade agora é estabelecer regras que valham para todos os levantamentos futuros.

Aspectos centrais em análise pelo tribunal

  • Vedação expressa a perguntas com caráter tendencioso

  • Definição objetiva do limite entre consulta e induzimento

  • Estabelecimento de padrões metodológicos para todos os institutos

  • Garantia de isonomia na fiscalização das consultas populares

Uso de áudios e vídeos nas abordagens

Outro ponto que ganhou força nos debates foi a exibição de conteúdos audiovisuais durante a coleta de dados. A prática preocupa os integrantes do tribunal pelo potencial de manipular a reação imediata do entrevistado.

Toffoli alertou para o risco de gravações e matérias serem veiculadas com o propósito de fundamentar questionários direcionados. Segundo o magistrado, a liberação dessa tática pode gerar um ambiente descontrolado nas disputas.

O ministro André Mendonça reforçou que os institutos precisam atuar como agentes de cooperação com o processo democrático. Para aprofundar o tema, a presidência do TSE planeja rodadas de conversa com executivos do setor.

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